22.02.11

 

Hoje foi um dia diferente dos outros. Porque eu até amei e fui amado. E porque hoje fiz parte de algo maior.

Não sou escuteiro nem nunca fui, mas certo é que desde pequeno sentia um enorme fascínio por aquele grupo que era tão unido que até tinham roupa igual. Acho que sempre me imaginei um dia ali e tinha pena de não acampar com eles, de não usar aquela roupa, aquele símbolo, de não fazer parte deles.

Todos estamos no mundo por um motivo, todos temos uma missão a cumprir. Vocês receberam-na de BP, eu não. Talvez seja até uma enorme ousadia tratá-lo assim, como só os amigos o tratam. Cresci longe dele e do seu movimento, mas não muito longe dos seus ideais, espero.

E agora, que julgava ser demasiado tarde para vir a pertencer ali, o movimento chegou até mim. Tu principalmente, minha P., a I., o B. e o M. trouxeram-no convosco nas vossas mãos, nos vossos olhos, nas vossas palavras, no vosso coração e entregaram-mo com uma força e uma clareza maior que alguma vez teve. Obrigado, a todos.

E até me trouxeram uma sweat que eu pude usar, sempre com o mesmo orgulho mas hoje com mais significado que nunca!

Sei que mal consigo atar os sapatos, quanto mais dar nós impossíveis de desatar. Tenho dificuldade em montar tendas que não sejam Quechuas que se abrem sozinhas quando as atiramos ao ar. E não tenho nº de agrupamento, nem insígnia da região, mas sou do Alentejo e do Algarve, e sou de Albufeira e sou do Parchal. Contigo e graças a ti, a vocês, sinto que mesmo sem ter lenço, também sou um bocadinho escuteiro.


07.01.11

Gosto bastante do Natal. Toda a minha vida gostei. Na verdade, foi desde sempre uma época mágica para mim e custa-me entender quem não gosta do Natal. Talvez eles dêem um sentido diferente à palavra.

Para mim Natal é encher um pinheiro de luzinhas e bolas coloridas. É musgo e são bonecos do presépio, mesmo aqueles já sem braço, gastos pelo tempo. É Sozinho em casa e é Natal dos Hospitais. É bacalhau e é peru. Não é muito azevias, nem rabanadas... mas é sonhos! Sim, é mesmo disso que se trata, de sonhos. De crianças que sonham com um barco pirata da playmobil, ou com um Mate telecomandado para mostrar a toda a gente. E sonham conhecer o Pai Natal e brincar com o Rudolfo. E ano após ano tudo se repete: o pinheiro, os sonhos, a magia. Mas sempre com um brilho renovado no olhar.

As crianças vão crescendo, e o Natal ganha novos significados.

Natal é música nas ruas, e é simpatia no ar. Natal passa a ser também Família.

Sei que para ti também é esse o significado. E que gostavas que fosse mais. ‘Porque agora já não é assim’, dizias-me tu sem os sorrisos e sem o brilho nos olhos que eu adoro ver. E desde o primeiro dia que o disseste ficou o desejo que este Natal fosse diferente, principalmente para ti.

Não foi fácil convencer-te de que um monte de lixo poderia resultar numa árvore de natal bonita. Talvez mais que isso, convencer-te a dar uma oportunidade ao Natal. E confesso que em alguns momentos tive medo. Ainda não tinhas a tua lanterna e eu temi estar a aventurar-me por caminhos sem ter luz suficiente para ver o que estava a pisar. Estar a navegar em direcção a um remoinho, com mares demasiado agitados para fazer o navio chegar a bom porto, sem naufragar no caminho.

Mas estávamos no terceiro andar. E essas fortes ondas, por maiores que possam ter sido, não chegaram lá acima. Felizmente não choveu, e tudo em ti foi sol.

Ainda assim, os senhores da meteorologia previam que a chegada de algumas nuvens me impedissem de ver o sol brilhar. E eu sabia que as podia mandar de volta para o hemisfério norte, que um sopro do coração era suficiente para impedir de chegar. Mas elas vinham altas e em casa, com os pés no chão, esse sopro não chegava lá.

Foi então que me ajudaram. Mais que segurar no escadote para eu puder subir lá acima, uma mãe Natal deu-me um trampolim para puder saltar e bater asas. E naquela manhã voei até ti. Mais que para uma visita, para te trazer colada a mim. Fico tão feliz que tenhas gostado...

Acabou por ser também para mim um Natal diferente, mais feliz, com mais significado. Porque tive mais amor e afinal o Natal é principalmente isso, amor!

E na minha árvore podiam não haver luzes, mas eu tenho a certeza que naquela noite os meus olhos brilharam tanto que chegava a ofuscar quem estivesse naquela sala.


12.11.10

"Magia - Também designada Ilusionismo, é a arte cénica de entreter uma audiência criando ilusões que confudem e surpreendem."

 

Não, magia e ilusionismo não são a mesma coisa. E se ainda existiam dúvidas desapareceram, sem deixar qualquer rasto atrás de si. E aconteceu de uma forma tão simples...

A X. entrou tristinha no quarto e, a pedido da T., eu fui fazer a 'magia' das moedas. Fui com a minha cara mais séria, muito seguro do que ia fazer, que afinal nada mais era que uma ilusão... sim X., só uma ilusão, porque depois os teus olhos a brilharam e a tua cara mostrou um sorriso tão verdadeiro... ai sim, sem cenários ou efeitos especiais, aconteceu magia de verdade!

'Faz lá outra vez!!'. Não fiz, não era preciso. Porque o importante estava feito e quem se cruzasse contigo podia vê-lo.

'Como é que fazes isso?!'. Eu expliquei, a ilusão. A magia não, porque também não sei. Mas quando resulta sabe tão bem!

 

E naquela noite, feitas bem as contas, não fui mais que um ilusionista. Mágico de verdade foste tu, minha doce T. Daqueles mesmo mesmo a sério, com cartola e com varinha. Também sabes como se faz, mas não quiseste. Disseste para fazer eu, e já sabias que a minha 'magia' ia resultar, ainda antes de eu pensar sequer em fazê-la. E também há magia aí. Nas palavras, nos gestos, em ti, em nós.

Afinal, minutos mágicos não são os daquele programa da sic, são estes!

 

 

 

à minha volta: a magia existe, sim!
publicado por R. às 16:41

04.11.10

... nem sempre sabe a liberdade;

foge ao vazio enquanto brinda, dança e salta.

Eu trago-te comigo... e sinto tanto tanto, a tua falta!"


11.10.10

Cheguei no dia da partida de um amigo (que também já posso dizer) meu, e fui recebido com um grande sorriso.

Já sabíamos que não ia ser, de facto, um dia de partida. E não foi. Mais que isso, foi de regresso!

Regressou a mim a sensação que tinha tido meses antes, quando havia estado pela primeira vez naquela sede que não tinha conseguido decorar o número. Hoje já o sei.

Sinto-me bem com vocês, muito bem. Como se já pertencesse um bocadinho ali. Como se tudo aquilo, se vocês fizessem parte de mim. Agora fazem!

E nesse dia de partida, essa sensação não partiu. Continuou comigo, connosco no dia seguinte.

E quando chegou a altura de cada um regressar às suas vidas fora daquele refugio, houve abraços... mas não de despedida. Só daqueles de até já, em que os braços continuam abertos à espera de um novo encontro que os complete.

Afinal, nesse dia de partida só uma coisa partiu. Partiu um emblema da minha capa, para uma nova casa, um novo lugar... que não é um caixote, mas também não é capa: é capote.

à minha volta: 'qual é a parte mais dura de um vegetal?'
publicado por R. às 17:41

16.08.10

 

 

Quando me diziam 'mas não te preocupes, tens a vida toda à tua frente...' sempre acreditei que a vida toda era imenso tempo.

Agora conheci-te, e quando penso na vida inteira que tenho para estar contigo, 'para sempre' parece nunca ser tempo suficiente! 


07.07.10

 

 

Nenhum dos dois sabia explicar o que havia acontecido. Mal se conheciam e no entanto sentiam-se como se tivessem esperado um pelo outro durante toda a vida.

E por não existirem dúvidas, foi de forma rápida que os gosto de ti tinham dado origem a beijos tímidos, escondidos sob a luz do luar, apenas vistos por toda uma imensidão de estrelas que se estendiam pelo céu e traziam mais brilho à noite escura.
Para não darem nas vistas e devido a algum receio de serem descobertos, encontravam-se sempre no mesmo lugar, uma ruela perpendicular à estrada principal, escolhida quase aleatoriamente, e que acabou por ser umas das primeiras testemunhas do que já na altura percebiam ser amor.
Mas a força do que sentiam não se escondeu durante muito tempo, e foram então deixando de se encontrar naquele cantinho que tinha sido só deles, que tinha sido tanto deles quanto era agora todo o universo.
De uma forma natural, como um rio corre para o oceano, perderam o medo de naufragar, deixaram de ser só capitães da areia e não deixaram mais o barco em terra com medo do mar!
E já algum tempo depois, voltaram a passar, desta vez por acaso, naquela ruela que havia sido em tempos o seu lugar.
'Reparaste como se chama esta rua?'
'não, como é?'
'Rua dos amores perfeitos.'
Olharam um para o outro e trocaram um sorriso cúmplice, pois ambos sabiam que são pequenos detalhes como aquele que fazem crescer amores assim... perfeitos!

sinto-me:
à minha volta: 'quando saires fecha a porta...' :P
publicado por R. às 13:03

23.06.10

 

   À alguns dias atrás encontrei um panda. Uma Panda para ser mais correcto. Sendo os pandas animais endémicos da República Popular da China, não consigo perceber o que fazia esta Panda por aqui, sozinha e perdida, e mesmo sabendo que os pandas correm um sério risco de extinção não consegui resistir a trazê-la comigo, ficar com ela para mim.

   Mamíferos dotados de racionalidade, os pandas são animais tímidos mas extremamente dóceis, que dificilmente atacam o Homem e a minha Panda também é assim!

   Não come bambu, o que achei muito estranho. Mesmo os outros legumes não são alimentos de que goste particularmente, por causa das texturas, então só os come se forem passados, como as sopas dos miúdos pequenos.

   Tem passado muito tempo comigo e gosto imenso da companhia que me faz! Algumas vezes ficamos só a ouvir música, noutras vamos ver as estrelas… Já vimos estrelas cadentes, já tentámos ver cometas, já vimos estrelas que são planetas e outras que são só aviões… E já vimos constelações… umas verdadeiras e outras que afinal são só candeeiros!

   Pouco a pouco a Panda que eu encontrei tem perdido os medos que trazia e acho que ontem perdeu o último, o maior de todos e disse-me a palavra que nunca tinha dito… Não que fosse fundamental dizer Lord Voldemort em vez de Quem-nós-sabemos, mas fiquei feliz por saber que agora a Panda está comigo sem ter mais nenhum medo.

   A Panda que eu encontrei é cada vez mais importante para mim e já não imagino a minha vida sem ela! Por isso façam-me um grande favor, se alguém de uma Associação de Defesa dos Animais ou de algum Zoológico importante vos perguntar se a viram não lhe digam que eu a tenho, para que ninguém a venha buscar e ela possa ficar comigo, para sempre!

sinto-me:
à minha volta: ' I've got an angel, she doesn't wear any wings...'
publicado por R. às 15:04

19.04.10

Não sei muito da sua infância nem da idade adulta. Que era o segundo de 6 irmãos e desde cedo teve de trabalhar. De todo este percurso conheço apenas algumas das histórias que me foram contando, como quando se escondia na sala de música para não ir às aulas por não gostar da professora. Sei que passou por Peniche, pela Amareleja e pelo Pinhal do Concelho antes de regressar definitivamente à sua vila de Canha. Fez de tudo um pouco, mas penso que a carpintaria era a sua verdadeira vocação. E as construções com conchas e búzios apanhados em Peniche, as construções que guardo e quero guardar comigo para sempre.

Pequenino, é a prova viva que os Homens não se medem aos palmos! É provavelmente a pessoa mais paciente que alguma vez conheci. Emociona-se com facilidade, como eu. Sempre calmo, não se mete com ninguém que não se meta com ele. Não mostrava muitas vezes o seu sentido de humor, mas quando o fazia não deixava ninguém indiferente. Nem o sentido de humor nem a cor dos olhos, que fazem inveja a qualquer pessoa!

Marcou-me desde muito cedo, antes mesmo de eu poder perceber que já o tinha feito.

Todos os dias ia para a fazenda. A fazenda para onde me levava e onde me deixava brincar enquanto trabalhava. Outras vezes ficava só a brincar comigo, como nas manhãs em que ia com a avó fazer análises e ficava em nossa casa e era obrigado a jogar a todos os jogos que eu tinha, sem nunca me dizer que não queria.

Adorava ver televisão. Os filmes de domingo à tarde, depois da sesta, touradas, talvez por sempre ter ligado de perto com touros e com cavalos e os jogos do nosso Benfica! E agora percebo o quanto lhe deve ter custado ver alguns jogos, ele que viu jogar nomes como Eusébio, Torres, Chalana e viu um Benfica que ganhava sempre! Punha alcunhas a todos os jogadores, menos aos preferidos dele... Tenho pena que já não veja jogar este Benfica, ia adorar com toda a certeza!

Fui crescendo, e tudo isto se ia repetindo, as tardes de televisão, as noites a conversar à lareira e nunca pensei que isso pudesse um dia acabar. Nem o nosso ritual de Natal… Desde que me lembro, ano após ano, ia comigo e com a minha mãe, e depois a minha irmã, procurar os melhores e mais belos pinheiros para fazermos a nossa Árvore de Natal. E depois, procurar o musgo mais verde, que saltava mais à vista, para que o nosso presépio ficasse bonito. Hoje já não consegue, por causa da doença e sem ele este ritual não é igual, perdeu uma parte da magia.

Ensinou-me tanto… Marcou-me ainda mais quando, no último fim-de-semana antes de ir para a Universidade, me fui despedir e não me disse nada como os “tem cuidado e alimenta-te bem”… Acho que não foi capaz, só me abraçou, o abraço mais forte que me tinha dado! Chorou e pôs-me a chorar também, como um miúdo pequeno.

Todos na família querem ser como ele e um dia, ainda antes de estar doente, disse com o maior dos sorrisos “O único que é parecido comigo é o R.!”. Nunca nada me deixou tão orgulhoso!

Nunca lhe perguntei se foi feliz, mas espero que sim!

Não sei o que vai acontecer a seguir, mas penso que é esta a melhor prenda que lhe posso dar, porque o Manelinho passou por aqui, e a sua história merecia ser contada!

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publicado por R. às 01:37

17.09.09

 

 

O Benfica jogava no restelo e eu estava no café a ver o jogo.

Não me lembro de alguma vez ter falado de futebol com o 'Tio Basôla', mas foi uma conversa interessante. "Nós Benfiquistas podemos estar a ganhar por uma data deles, mas se um jogador falha um passe começamos logo a reclamar..." disse-me já perto do fim, para justificar um abanar de cabeça apesar dos golos já marcados.

Foram 4, o melhor dos quais logo no inicio do jogo. Tinham passado 6 minutos e nem o 'Tio Basôla' conseguiu esconder o entusiasmo com esse golo do Zé Viola, como lhe chama.

"Este pequenino é bom!" disse-me com um brilho nos olhos. "É rápido e corre muito..".  E se o 'Tio Basôla' com perto de 80 anos e a autoridade de quem já viu jogar os reis Pelé e Eusébio o diz, então é porque é mesmo verdade!

 

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publicado por R. às 13:34

Quando nos sentimos perdidos no mundo precisamos de algo que, qual raio de sol, ilumine o nosso dia. Para esses momentos, música para os meus ouvidos, que tenho um blog à minha espera!
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